É fato que a campanha no rádio e na televisão ainda não começou — está prevista para o dia 31 —, mas o excessivo número de indecisos precisa ser avaliado com precisão pelos candidatos. Num cenário sem a presença do petista Luiz Inácio Lula da Silva, 38% dos brasileiros em condições de votar ainda não fizeram a sua opção. Admitem que vão esperar a propaganda para tomar uma posição, mas observam, também, que o que tem sido dito até agora não os seduziu.
Na verdade, os políticos têm dito pouco, ficando no mais do mesmo como já se destacou nesse espaço. Salvo um ou dois candidatos que apresentam mais dados para um eventual mandato, os demais ficam no discurso de sempre, ora questionando o presidente de plantão — o que não é vantagem, pois experimenta a mais baixa aprovação dos últimos anos —, ora dizendo o óbvio, especialmente para as camadas mais populares que esperam um novo rumo a partir de janeiro de 2019.
Junto com a propaganda eleitoral, os debates vão se intensificar. As emissoras de rádio, como a CBN, irão iniciar em setembro uma sabatina com todos os postulantes à Presidência. É a chance que a maioria tem para apresentar suas propostas, sobretudo se for levado em conta o precário tempo para inserção de suas propostas. Salvo as candidaturas do tucano Geraldo Alckmin e do petista Lula, ou Fernando Haddad, as demais serão à base do conta-gotas, suficiente apenas para apresentação de um currículo básico sobre o pretendente.
Os brasileiros indecisos entendem que o país tem demandas em demasia e propostas de menos, o que os leva a esperar o tempo de propaganda, mas suas observações já poderiam ter sido incorporadas pelos candidatos, que ora repetem o mesmo mantra de pleitos anteriores.
No caso mineiro, não há muita diferença, mas, como o atual governador disputa a reeleição e divide com seus antecessores o custo da impopularidade, ainda há apostas numa terceira via com o MDB, agora de Adalclever Lopes substituindo o socialista Marcio Lacerda. Mas a legenda que lhe acolhe tem um problema. A despeito da capilaridade expressiva num estado com 853 municípios, paga pelos atos de sua direção nacional esboçada na figura do presidente Michel Temer. O eleitor pode até fazer a separação, mas o exemplo de cima, certamente, vai pesar na hora do voto.
