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DANOS DO CRACK

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No decorrer dos últimos dias, a Tribuna tem se dedicado a identificar as áreas de consumo coletivo do crack, as conhecidas cracolândias, que se tornaram um transtorno para a população. Em tais espaços, há uma perversa convivência entre traficantes e viciados, num cenário que dá vazão também à prostituição. Na semana passada, a Prefeitura demoliu a maior delas, na esquina das ruas Benjamin Constant e Calil Ahouagi, e deu fim a um segundo ponto, perto do Cemitério Municipal. Mas há outras, como o jornal apontou na edição de ontem.

Muitos destes locais, como o casarão na confluência da Avenida Itamar Franco e Rua Espírito Santo, estão fechados há anos, resultado de pendências judiciais. Quem perde são os proprietários e a própria população do entorno, que vive o permanente constrangimento de atos libidinosos e de consumo sistemático de drogas. A lentidão de uma sentença de mérito cria um problema que já devia ter sido resolvido. A cracolândia, porém, se materializa também em outros locais, e não necessariamente abandonados. Na semana passada, a polícia desbaratou um grupo que comercializava drogas no Parque Halfeld, onde também o produto era consumido. As margens da linha férrea são outro local de consumo.

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A demolição, porém, não encerra a questão. O crack, que hoje é usado em mais de 90% dos municípios brasileiros, tornou-se também um problema de saúde pública, o que remete à indagação sobre o futuro dos usuários encontrados nestes locais. A maioria deles já foi abandonada pela família, vivendo como nômades do espaço urbano. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, anunciou que o plano de enfrentamento ao crack prevê a implantação de unidades de acolhimento para usuários de drogas, sendo duas para adultos e duas de infantojuvenis. Esta, sim, é uma boa notícia.

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