O combate à corrupção, mesmo que de forma discreta, se comparado ao volume de notícias, começa a ganhar corpo e chega às ruas. Há uma indignação latente em ascensão, exigindo a tomada de providências. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, de forma emblemática, fará uma sessão extra para entregar a Medalha do Mérito Industrial a nove senadores que iniciaram a campanha a favor da moralidade pública. Normalmente, a homenagem é feita em maio, mas, diante dos fatos e da iniciativa, os empresários decidiram mostrar que pactuam com a ação dos parlamentares.
No mesmo dia, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), um dos réus do mensalão, e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foram induzidos a renunciar aos postos de presidente e relator da comissão que cuidará da reforma do Código de Processo Penal. O político do Rio saiu por pressão dos próprios pares, que consideravam um escárnio alguém que responde a um processo no Supremo tratar da mudança de um documento tão importante. Saiu brigando, mas saiu.
Essas mudanças são comuns na cena política, mas o momento em que ocorreram e as medidas tomadas dentro do próprio Governo são reveladores da inquietação que afeta as autoridades. A presidente Dilma Rousseff, embora rejeite o rótulo e tenha avisado que quem tira ministro é o próprio partido, vem promovendo uma faxina em áreas instáveis de sua administração.
Ao eleitor, cabe, nas urnas, fazer sua parte. É preciso, antes do voto, conhecer os candidatos, a fim de garantir que os legislativos e executivos, que estarão em jogo no ano que vem, sejam ocupados por candidatos comprometidos com a ética. Já que os partidos, pensando apenas nos votos, não fazem essa profilaxia, cabe às ruas tomar essa providência, pois, em assim agindo, criam-se também mecanismos de pressão que acabam provocando o efeito cascata que hoje incomoda as estruturas de poder.
