A semana termina com uma discussão sobre as relações entre pedestres e motoristas, após o incidente em que um homem de 72 anos foi agredido por um motorista, pelo simples fato de pedir prudência no cruzamento das ruas Tiradentes e Halfeld, no Centro da cidade. O motorista, segundo relatos, teria se indignado ante um pedido de paciência do homem que atravessava, e, não satisfeito, parou o carro e o agrediu com um chute no tórax. Embora a placa do veículo tenha sido identificada e repassada às autoridades, há empecilhos legais para a ação da polícia: só se houver interesse da vítima, por se tratar de uma questão de competência privada.
Agindo a polícia ou não, a discussão não deve cessar e nem, muito menos, o interesse pela tomada de providências, sob o risco de se abrir um perigoso precedente. A partir do instante em que o estresse do trânsito se desdobra em agressões, ninguém está seguro. Em tempos de eventos em tempo real, com a internet reduzindo distâncias e eventos, as pessoas também ficaram mais aceleradas, o que é possível perceber no dia a dia das ruas.
As explicações de especialistas, como hierarquização do trânsito, no qual os motoristas se sentem melhores do que os pedestres, ou em torno da falta de educação, são positivas, mas o Estado tem que fazer a sua parte, com uma fiscalização mais eficiente e adotando as correções que mereçam ser feitas. O autor da agressão, independentemente da representação da vítima, pelo menos, deve ser chamado a se explicar, até mesmo para dar sua versão do episódio. Trata-se de uma ação pedagógica para os demais, que, ante tal exemplo, queiram, da mesma forma, ultrapassar os limites da civilidade.
