O mesmo Congresso que passou anos analisando diversos projetos de reforma política, mas sem chegar ao consenso sobre nenhum deles, está prestes a colocar em pauta dois modelos de distritão: o do vice-presidente da República, Michel Temer – puro e simples, pelo qual os mais votados seriam eleitos em determinadas regiões dos estados -, e o do senador José Serra – que já alcançaria as eleições municipais de 2016, com a instituição de distritos nos municípios. Seriam praticamente bairros, nos quais seriam eleitos os que tivessem mais apoio.
As duas propostas têm apelo até mesmo nas ruas, mas esbarram em problemas. Seriam excludentes para os candidatos de menor poder aquisitivo e os de pouca densidade de mobilização dentro dos próprios diretórios, pois ficariam no pé das listas que cada legenda vai apresentar ao eleitor. A ideia de uma disputa fratricida dentro dos partidos, como ocorre nas prévias americanas, é apenas um apelo, que na prática corre sérios riscos de privilegiar os caciques políticos.
Ante um cenário deste, é preciso avaliar que parlamento virá das urnas. Hoje, a despeito de todos os defeitos – e são muitos -, o Poder Legislativo, em suas variadas instâncias, é a estratificação da própria sociedade, com todos os seus vícios e qualidades, muitas vezes reverberando a balbúrdia das ruas, quando deveria ser o ponto na curva para pacificar conflitos. A versão oriunda do distritão, porém, é mais perversa, pois não dá garantias de representação para os que mais precisam dela.
