A prisão de um senador da República em pleno exercício do mandato, algo inédito na história recente do país, provocou uma das mais constrangedoras sessões do Parlamento na noite de quarta-feira. Senadores governistas e da oposição, como se tivessem feito um pacto, confirmaram a prisão de Delcídio Amaral, mas não houve, sequer, uma comemoração. E não podia ser diferente. O episódio, autorizado pelo STF e pelo próprio Senado, fortalece as instituições, mas põe em xeque políticos que se escondem atrás do mandato para adotarem posturas pouco republicanas. Muitos dos que votaram na sessão histórica sabiam que colocavam a própria cabeça a prêmio. Se, por um lado, o episódio aponta para a busca de um novo país, no qual sociedade e as demais instituições se reforçam, por outro, fica cada vez mais claro que a operação “Lava jato” vai longe, desmontando um jogo de cartas que ora cai em efeito cascata a cada investigação. Se antes havia uma campanha pelo impeachment da presidente da República, substituída pela cabeça do presidente da Câmara, a crise, agora, chega ao Senado. A cada dia, há uma surpresa, restando saber, agora, qual será a bola da vez. Nesses e em outros episódios, vale repetir a afirmação da ministra do Supremo, a mineira Carmem Lúcia: “o crime não vencerá a Justiça”. Há quem questione a decisão dos ministros, mas, ao autorizar a prisão do senador, o Supremo, tangenciando ou não a Constituição, apontou para o que o país tanto clamou. Não há quem esteja acima da lei. E é talvez por isso que muitos que fizeram do poder um meio, e não um fim, estão preocupados com o dia de amanhã.
