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DRAMA URBANO

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Os números apresentados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indicando que 54% dos domicílios no Brasil têm carro ou motocicleta disponíveis para deslocamento dos moradores, embutem uma boa e uma má notícia. A boa é a ascensão social, pois a motorização foi verificada em todas as classes sociais e em todos os estados. É a primeira vez que se chega a estes números, de acordo com os próprios pesquisadores.

A má notícia envolve a mobilidade urbana. Mais veículos são sinônimos de mais engarrafamentos, o que se tornou uma rotina não apenas das grandes cidades, mas também dos médios centros, como é o caso de Juiz de Fora. O trânsito está cada vez mais lento, criando uma esquizofrenia coletiva ante as dificuldades que se acentuam, sobretudo nos horários de pico.

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É neste contraste que se forja a importância de pesquisas sobre mobilidade urbana, por se tratar de um dos principais desafios dos administradores públicos. Estabelecer um transporte de qualidade e espaço para meios alternativos, como bicicletas, tornou-se uma demanda necessária, a fim de atender a massa urbana que se move todos os dias. Como desde os anos 1960 o país abandonou a vocação pelo transporte ferroviário – que ainda é incentivado na Europa -, os ônibus tornaram-se o grande vetor, mas não estão dando conta.

A ascensão social também mudou hábitos, e este novo consumidor não quer apenas mais meios de transportes, mas também qualidade. Como o serviço prestado ainda é precário, ele usa a opção mais fácil: coloca o próprio carro ou moto na rua, acentuando as retenções. As ruas, porém, só serão esvaziadas quando o transporte público, além de mais veículos, tiver a qualidade que agora tornou-se ponto de honra daqueles que, durante anos, viajaram espremidos como sardinha, ou passaram horas nos pontos à espera do coletivo em atraso.

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