A Assembleia Legislativa realiza hoje uma audiência pública para discutir a expansão do crack no estado e possíveis medidas que possam ser tomadas para evitar a sua propagação. A iniciativa é louvável, pois a discussão cabe a qualquer tempo, mas chega com alguns anos de atraso, já que a droga tornou-se endêmica há algum tempo. Relatórios oficiais indicam que 98% dos municípios brasileiros já foram afetados, restando, agora, ações de Estado para conter o seu crescimento e, sobretudo, os danos que provoca. A droga não é apenas uma questão de segurança, tornando-se também tema de saúde pública à medida que é necessária a criação de projetos para atendimento dos dependentes.
Minas, aliás, já tem ações nesse sentido, mas a melhor contribuição dos parlamentares, agora, é cobrar mais agilidade em tais programas e ampliar os recursos para a sua implementação. Pelo estado afora existem vários centros de recuperação, mas muitos deles funcionam precariamente por causa dos recursos, ainda insuficientes. Além do próprio estado, diversas entidades filantrópicas e voluntários estão nesse processo, criando redes de atendimento. Na audiência, o melhor a fazer é ouvir essas entidades, a fim de se obter um completo diagnóstico do que está em curso.
Desde a desqualificação do uso de drogas como crime, abriu-se uma discussão sobre como o problema deveria ser encarado. Além das medidas preventivas, quando se trata da dependência, o tratamento é o caminho mais adequado, mas, para isso, é preciso recurso. Os diversos programas já em andamento, sob orientação tanto da União quanto do Estado e dos municípios, não são suficientes, tal o volume de envolvidos. O consumo, mesmo com todas as ações, continua em curva ascendente. Por isso, há segmentos que entendem que a guerra deve ser definida em outras frentes, inclusive da liberação, por entender que o jogo, por enquanto, está desempatado a favor do consumo. Trata-se, é fato, de uma tese perigosa, mas que não pode ficar fora da mesa de discussões.
