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RECADO DAS URNAS

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As lideranças políticas, tão logo o Papa Francisco retorne ao Vaticano, voltam à sua rotina com uma questão em cima da mesa: os recentes números do Ibope, apontando a reação da rua ao que andam fazendo. São dados preocupantes e que não se restringem apenas à presidente Dilma Rousseff, ora em curva descendente nas pesquisas. Governadores filiados a partidos diversos também estão mal na fita, numa demonstração de que os protestos de junho não tinham um só foco. E aí entra na conta também o Congresso Nacional. Câmara e Senado nunca estiveram com cotação tão baixa nos últimos anos, devendo rever seus conceitos e adotar plenamente uma agenda positiva, e não apenas questões pontuais, como tem sido feito até agora.

A lição a ser tirada é também um alerta do que pode ocorrer nas eleições do ano que vem, quando Presidência, governos estaduais e parlamentos federal e estaduais estarão em jogo. Ou alguém pensa que, a partir de agora, as ruas voltarão a ficar silentes? Os protestos podem até mudar de foco, voltando-se para questões pontuais, mas enquanto a política e os políticos continuarem apartados da opinião pública haverá espaço para questionamentos. Nesse aspecto, entra em questão também a economia. Se esta vai bem, a democracia também vai, mas, se a inflação não arrefecer, certamente a insatisfação vai se transformar em fonte de novas manifestações.

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Após o recesso de meio de ano, o Congresso, especialmente, deve acelerar questões importantes, a começar pela reforma política. Não se trata da solução de todos os problemas, mas será um sinal importante de mudanças. O coordenador da comissão especial que analisa o tema, deputado Cândido Vaccarezza, disse que agora a reforma sai de qualquer jeito, numa clara admissão de que outras tentativas falharam. Se desta vez a previsão der certo, será dado um sinal positivo de que as pressões estão dando resultado. Caso contrário, o recado será dado pelas urnas.

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