O ministro da Saúde, Marcelo Castro, fala pelos cotovelos, mas não errou quando disse que o país “perde feio” a batalha contra o Aedes aegypti, durante anúncio da entrada de mais 220 mil homens das Forças Armadas para visitar casas e distribuir panfletos orientando a população para os cuidados que deve ter. A observação lhe custou um puxão de orelhas, mas faz sentido, uma vez que os números de infestação estão crescendo em proporções geométricas pelo país afora. Em Juiz de Fora, o prefeito Bruno Siqueira decretou emergência. Só neste início de ano, 600 casos de dengue foram registrados, número 20 vezes maior do que o de 2015 neste mesmo período.
A dengue não é nova no país, que registra casos há pelo menos dez anos. Seu crescimento, portanto, não deveria ocorrer em tais proporções se, desde o início, o Governo tivesse partido para o enfrentamento ao mosquito. Ao contrário, além da falta de investimentos em pesquisas, atrasando a busca de vacinas, houve leniência coletiva. Bastaram os números melhorarem em 2014 para todos entenderem que o Aedes estava erradicado. Ledo equívoco, ele está mais forte do que nunca, multiplicando os casos não apenas de dengue mas também de chikungunya e zika vírus.
Mas a guerra não é apenas do Estado. A população tem que estar plenamente consciente dos danos da doença, a fim de fazer a sua parte. Na edição de ontem, a Tribuna mostrou vários bota-foras, que se espalham por diversos pontos da cidade, tornando-se criadouros naturais para o Aedes. É preciso punir esses infratores com multas graves, pois agem sem responsabilidade, mesmo sabendo dos danos que causam.
A guerra é de todos, e só o envolvimento coletivo será capaz de reverter esse cenário. Caso contrário, o ministro da Saúde continuará certo ao dizer que a guerra está sendo perdida.
