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CRISE ANUNCIADA

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O tratamento dado pelos governos em todas as suas etapas às crises de energia elétrica e de água demonstra o equívoco das instâncias de poder com demandas tão importantes. Em vez de um debate profundo sobre o que levou a essa situação e o que deve ser feito daqui para frente, a questão ficou por conta da mídia, cujo tratamento é distinto do que deveria ser adotado para, sobretudo, alertar a população. Em vez de discussões sobre uso racional de água e energia, o que se vê é um jogo de responsabilização. Ora é a oposição dizendo que faltou planejamento na gestão elétrica, ora é o Governo dizendo que a oposição não cuidou dos mananciais, citando, especialmente, o caso de São Paulo. A maior cidade do país vive debaixo de água, mas nem assim seus reservatórios se completam.

Em vez da culpa deste ou daquele Governo, é fundamental olhar para frente, pois as duas crises são apenas o prenúncio de algo mais grave se não forem tomadas providências. O clima já vem dando sinais de mudanças há tempos, mas nem por isso os administradores agiram. Nem campanhas objetivas de uso racional de energia e de água entraram nas suas agendas, salvo esporadicamente. Hoje, pela falta de educação coletiva, são vistas cenas pouco condizentes com um cenário de racionamento. Na energia, a situação é a mesma. Desde o início do ano passado, já se sabia que haveria problemas, sobretudo quando foi necessário o uso das termelétricas. O aviso foi ignorado.

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Tanto a água quanto a energia são fundamentais para o país. Cidades desabastecidas têm problemas de toda ordem. Sem energia, todo o sistema produtivo vai para o ralo, pois quanto mais se exige das indústrias, em função do consumo crescente, mais elas dependem das hidrelétricas. Não havendo quem forneça, o resultado vai para os custos e, em consequência, para os preços. Gera-se a inflação de demanda e desemprego.

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