A sete dias das eleições, o cenário continua indefinido em boa parte dos colégios eleitorais, tanto na corrida para a Presidência da República quanto para os governos estaduais. A semana que começa deve registrar o afunilamento das intenções de voto diante da divulgação das pesquisas. Os indecisos tendem a tomar uma posição, e o voto útil não é um fator descartado. O eleitor, ao perceber a performance dos candidatos e candidatas, costuma buscar os nomes mais bem situados nos levantamentos.
Os institutos de pesquisa dão prioridade aos cargos majoritários, uma vez que medir o desempenho dos postulantes à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas é mais complexo e pode gerar números que não se sustentam: um candidato pode ter bom desempenho em determinada região e não o repetir em outras. Trata-se, pois, de um trabalho de características distintas.
A ausência de dados, porém, não deve ser considerada um descaso com a votação para o Legislativo. A eleição de deputados federais e estaduais é fundamental para o processo democrático. As campanhas colocam tais candidaturas em segundo plano, especialmente no horário da propaganda eleitoral gratuita, no qual, com algumas exceções, a apresentação dos candidatos é sumária, por causa do número de postulantes e do tempo disponível para os partidos. Com isso, a maioria se limita ao nome, ao número e a algum slogan de campanha.
O eleitor, no entanto, deve se empenhar na avaliação dos candidatos, ampliando suas investigações em vez de ficar restrito ao tempo da propaganda eleitoral. O Legislativo tem a mesma importância dos demais Poderes, sobretudo pelas prerrogativas de legislar e fiscalizar.
O ciclo de denúncias contra agentes públicos, que tem chamado mais a atenção da opinião pública do que a propaganda eleitoral, é fruto, em parte, do voto sem qualidade na formação dos parlamentos. Um voto qualificado produziria o efeito inverso, pois um Legislativo atuante e atento às demandas populares tem meios e poder para fiscalizar o Executivo e exercer os freios e contrapesos previstos na Constituição.
Escolher bem o deputado é, portanto, tão decisivo quanto escolher o presidente e o governador. Os próximos sete dias são a última oportunidade para essa pesquisa, que cabe ao eleitor, não aos institutos.

