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JOGO DE CENA

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Na sua edição de ontem, o jornal O Globo revelou um esquema em que a Delta Construções e o contraventor Carlinhos Cachoeira usaram laranjas para esquentar dinheiro no Rio de Janeiro. Trata-se de mais uma ponta do iceberg que marca as ações do homem, ora preso, com os órgãos públicos de diversos estados. Enquanto isso, a CPMI que analisa tais relações passa mais tempo batendo boca, por causa dos interesses partidários, do que aprofundando as investigações.

Há um claro desinteresse de determinados partidos nesse aprofundamento, por saberem que todos estarão no mesmo barco. Cachoeira, durante anos, amealhou negócios por diversos estados e cooptou lideranças de diversos perfis ideológicos. Suas ações são mais uma prova do jogo de interesses na relação público-privada que afeta alguns segmentos.

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O perverso desse enredo é o fato de não haver boas perspectivas na conclusão das investigações do Congresso. Enquanto a Polícia Federal está recheada de provas e, embora o Supremo Tribunal Federal já tenha liberado algumas delas para a CPMI, os parlamentares preferem, como pirilampos, ficar em torno dos holofotes, só agindo sob o olhar da mídia. Esse jogo para a arquibancada não é inédito, como também não será a primeira comissão a terminar em pizza. A lamentar.

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