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QUEM PAGA A CONTA?

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As rodovias de Minas começam a ser liberadas pelos caminhoneiros que, há uma semana, bloqueiam mais de 120 pontos em estradas de pelo menos outros dez estados brasileiros, seja por força de liminar, seja pela ação da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional. Nesta queda de braço entre caminhoneiros e Governo, ainda sem acordo, os reflexos já começam a ser sentidos, com o desabastecimento de alimentos e combustível e também com o aumento de preços de frutas e legumes. Atividades como o abate de animais e o processamento de leite estão paralisadas. Em Minas, a Fiat suspendeu os três turnos da unidade de Betim por falta de autopeças. A Justiça determinou o imediato desbloqueio das rodovias sob pena de multa de R$ 5 mil por hora.

Embora as manifestações tenham começado de maneira autônoma no Mato Grosso e no Paraná, com caminhoneiros e empresas de transporte, a forte adesão e o nível de insatisfação da categoria – que reivindica redução no preço do diesel e no valor dos pedágios, além de tabelamento do frete, entre outras pautas setorizadas – traz embutido o risco de politização do movimento. A alta nos custos do diesel e em itens de manutenção dos veículos é reflexo da crise econômica que afeta o valor do frete rodoviário, em função da maior oferta de veículos e da defasagem de preços por falta de carga para transportar.

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Por mais justas que sejam as reivindicações dos caminhoneiros, não há reclamação que legitime uma ação cuja principal punida é a própria sociedade. Os prejuízos são enormes, embora ainda não estimados. No entanto, o impacto na cadeia produtiva de vários segmentos da indústria brasileira tem preço e não vai demorar a pesar no bolso de quem, no final, sempre paga a conta: a sociedade.

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