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O DESAFIO DO ENEM

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Que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a forma mais democrática de acesso ao ensino universitário ninguém discute. Mas dizer que os erros e problemas com a prova, que incluem até vazamento de questões, não mancharam a reputação do exame e, consequentemente, do ministro Fernando Haddad, que deixou esta semana a pasta da Educação para se candidatar à prefeitura de São Paulo, também não dá para negar.

Disposta a blindar seu correligionário, a presidente Dilma Rousseff não mede esforços para afastar o fantasma do Enem. Esta semana, durante cerimônia de posse dos ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia), em Brasília, que contou com a presença do ex-presidente Lula, a presidente voltou a defender o exame e disse que vai fazer o possível e o impossível para corrigir falhas. Ela comparou o Enem a uma criança, que precisa de acompanhamento e correção de rumo para evoluir.

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Antes, na despedida de Fernando Haddad do Ministério da Educação, Dilma garantiu que o exame só terá duas edições em 2013. A primeira edição deste ano, marcada para abril, foi cancelada, após denúncias de nota acima da mínima em prova deixada em branco. Assim, em 2012, haverá aplicação do Enem apenas em novembro, depois de encerradas as eleições. Desde que se transformou em porta de acesso ao ensino superior, em 2009, o Enem enfrentou problemas nas três edições.

A despeito das intenções políticas do momento, não se pode deixar de considerar o avanço que o Enem representa para o ingresso de jovens brasileiros na universidade, no sentido de ampliar o acesso e deselitizar o ensino superior no Brasil. A ampla adesão das universidades brasileiras é a maior prova disso. Sem ele, certamente, a juventude advinda da escola pública ainda seria refém do controverso sistema de cotas, com pouca esperança e chances de um futuro melhor.

O novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, assume a pasta com uma série de desafios, sendo o principal deles ajustar a logística do Enem e evitar a sucessão de falhas que, embora pontuais, atingem, milhares de estudantes, consolidando o caminho aberto por Haddad para a universidade. Os outros são melhorar a formação de professores, reduzir o gargalo no ensino médio e avançar na educação básica.

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