O Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião Pública (Ibope) apresentou ontem uma nova rodada de pesquisa aferindo a credibilidade das instituições. De novo, em primeiro lugar, ficaram os bombeiros, com 83 pontos numa escala de cem. Mas aí não há novidades, por tratar-se de uma repetição de outros levantamentos. A novidade foi a presença do Supremo Tribunal Federal na pesquisa, o que até então não era feito, e sua posição acima do Legislativo. O STF tem um grau de confiança de 54 pontos, bem acima da Câmara dos Deputados, que ficou com 35, diferença de emblemáticos 19 pontos. Das sete instituições pesquisadas em dezembro, o Congresso foi a que inspirou menos confiança na população. Seu índice de 35 pontos é inferior aos 40 da polícia, aos 54 do sistema eleitoral e aos 60 dos meios de comunicação, por exemplo.
Os números não têm implicação na vida das instituições, mas apontam a percepção das ruas para o que elas andaram fazendo em 2012. O Judiciário, no caso representado pelo STF, nunca teve tanta visibilidade como neste ano, graças ao julgamento do mensalão. Como a sentença agradou a maioria da opinião pública, sobretudo pelo ineditismo de se condenar políticos à prisão, a reverberação já era esperada. O Congresso também não deve ter sido surpreendido, pois, há tempos, vem mantendo uma rotina de últimos lugares, mais pela sua inação do que por suas atitudes. Não é de hoje que a Casa perdeu o papel assertivo que dela se espera para tornar-se um órgão a reboque do Executivo e posto em dúvida pelo Judiciário.
No sistema de governo de coalizão, há uma dependência mútua do Executivo e do Legislativo, mas o poder de mando do chefe do Governo suplanta as ações de senadores e deputados, sistematicamente pautados pela caneta oficial. Nesse jogo de barganhas, a imagem dos parlamentares ficou comprometida, como os números apontaram. O perverso, porém, é que não se vê iniciativas para virar o jogo. A reforma política, que poderia ser um primeiro passo, ficou para o ano que vem, correndo o risco – dependendo dos prazos de votação – de ser um documento para vigorar só em 2018, embora haja quem aposte na sua validade só em 2022.
