A necessidade de fazer maioria no Congresso tem sido o ponto frágil de todos os governos, sobretudo num cenário de coalizão. Para atender aos partidos, cujo apetite é imensurável, o Executivo cede cargos na estrutura de poder não apenas nos ministérios mas também nas estatais e nos demais órgãos da administração indireta. E o uso de tais cargos nem sempre segue princípios republicanos, como ora prova o escândalo da Petrobras, que deve ser, no entanto, apenas a ponta do iceberg. Os partidos políticos não medem esforços para ocupação de espaços pensando, sobretudo, no retorno que vão obter, a começar por recursos para movimentar sua máquina.
Os principais responsáveis pelo escândalo da maior empresa brasileira são muitos, mas os afilhados dos partidos são os protagonistas nesse balcão de negócio que se instalou dentro do Governo. E é bom ressaltar que não há nada de novo. Desde a Constituição Federal de 1988, quando a configuração de forças deu aos partidos um papel fundamental na agenda oficial, a troca de favores ocorre. Em alguns mandatos mais e noutros menos, dependendo do estilo do governante. O ponto em comum é que, durante todo esse tempo, muitos atores passaram por várias gestões, tanto no polo ativo quanto no passivo.
O trabalho da Polícia Federal é pedagógico, mas não é a solução de todos os problemas. Cabe a ela detectar e prender os envolvidos, mas há necessidade também de uma Justiça ágil e de uma legislação capaz de estabelecer penas duras afetando também o bolso dos envolvidos. Por enquanto, são poucos os que se manifestaram dispostos a devolver o que tiraram do bolso da viúva, mas aí também há dúvidas, já que não há garantias de ser o valor exato do rombo do caixa público.
A presidente Dilma vai inaugurar seu segundo mandato no pior dos mundos, pois tem um rombo financeiro que precisa ser resolvido – e se fala em algo em torno de R$ 100 bilhões – e ainda precisa acomodar os aliados no seu Governo. Muitos deles, envolvidos nas mazelas que a PF está desvendando.
