A educação liberta foi um dos fatores que levaram o ministro Joaquim Barbosa ao Supremo: ele é um homem preparado para o cargo, fruto dos estudos a que se impôs ao curso de sua trajetória. Estudou em escola pública, virou noites sobre os livros, fez mestrado e doutorado no exterior, aprendeu línguas e não se submeteu. Outros joaquins, sejam negros ou brancos, certamente, estariam em melhores condições de enfrentar o mercado, cada vez mais competitivo, se as escolas públicas brasileiras fossem mais eficientes. No ranking elaborado pelo Exame Nacional do Ensino Médio, divulgado na última quinta-feira, foi mostrado que os colégios particulares estão em melhor situação. No caso de Juiz de Fora, as duas escolas públicas com melhor performance – Colégio Militar e IF Sudeste – são federais.
Embora haja avanços, a diferença ainda é abissal, sobretudo em regiões mais carentes, nas quais falta praticamente tudo. O noticiário é pródigo em mostrar crianças andando quilômetros a pé para chegar às suas escolas, merenda precária e mobiliário comprometido, ora pela ausência de carteiras, ora pela própria estrutura dos prédios, nos quais não há, inclusive, áreas de recreação. Os joaquins do interior são vítimas das próprias circunstâncias, e o que se vê é o permanente descompasso entre discurso e prática. Os professores, responsáveis pelos primeiros passos no ensino dessas crianças, também são outras vítimas do sistema, não só pela baixa remuneração mas pelas próprias condições em que atuam. Muitos, para garantir a sobrevivência, se desdobram numa rotina diária de pular de escola em escola durante um período inteiro. E como se preparar ou atualizar?
O ranking do Exame Nacional já cumpriu várias edições, mas as mudanças ainda são tímidas no cenário educacional. A escola integral, que mantém a criança durante todo o dia ocupada, afastando-a das tentações, sobretudo das drogas, ainda é um projeto de raras exceções. O grave é que, de governos a lideranças políticas, todos sabem o que deve ser feito, mas na implementação de tais projetos tudo muda. Eles não conseguem sair do palanque.
