Ícone do site Tribuna de Minas

ACESSO ÀS ARMAS

PUBLICIDADE

A migração para os centros urbanos dos conflitos de gangues, antes restritos a alguns bairros da cidade, tornou-se um problema grave, pois compromete a vida de milhares de pessoas que não têm a menor ligação com esses enfrentamentos. Se antes o noticiário apontava as brigas, sobretudo em ônibus, hoje o cotidiano aponta outros pontos como áreas instáveis, como é o caso do Largo do Riachuelo, destacado na edição de ontem da Tribuna. Os comerciantes estão mudando sua rotina, e nem mesmo uma unidade policial dentro de um shopping é capaz de mudar a situação.

Por mais de uma ocasião, as autoridades acentuam que estão mapeando as galeras, a fim de enquadrar seus membros na legislação. O procedimento é correto, mas o discurso é recorrente. Pelo tempo que esse monitoramento tem sido feito, já é possível – pelo menos deveria – chamar os envolvidos para uma conversa, a fim de apontar-lhes a ação do Estado, que não pode transigir com situações como essas.

PUBLICIDADE

A questão central, porém, é o fácil acesso às armas. Em qualquer conflito, há sempre alguém de posse de um revólver, o que resulta sistematicamente em tragédias, como no Jóquei Clube II, que culminou com um jovem morto e outro gravemente ferido. Todos os dias, há relatos de pessoas armadas, a despeito de o uso ser considerado crime.

A tragédia das armas é resultado da facilidade de compra, inclusive em pontos mapeados pela polícia, como a feira livre da Avenida Brasil. No relato dos próprios envolvidos, é possível detectar a forma como obtiveram o equipamento e o discurso recorrente de estarem portando para se defenderem de ameaças.

Quando rejeitou as restrições às armas, durante plebiscito, a população, certamente, não dava conta dos desdobramentos. Daí a importância de se repensarem as estratégias, uma vez que, enquanto houver a livre circulação de armas de fogo, e nenhuma estatística de quantas estão nas ruas, as tragédias serão meros fatos anunciados.

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile