Os números apresentados pela Fundação João Pinheiro, órgão ligado ao Governo estadual, são emblemáticos, mas não surpreendem quando apontam a fragilidade da Zona da Mata, se comparada com outras regiões mineiras, em questões como saúde e educação. Não é de hoje que, salvo a região Norte e o Vale do Jequitinhonha, ela apresenta índices menores, frutos de anos de inação política e administrativa. E o mais grave: não é por falta de aviso.
A série de encontros para tratar do desenvolvimento regional, realizada desde o ano passado, é prova material do que agora os números mostram. A despeito dos investimentos anunciados pelo estado, ainda há uma longa lista de ações que precisam ser colocadas em prática, mas, para isso, é fundamental também a participação do poder político.
As lideranças regionais, salvo as exceções, ainda não perceberam – ou não querem perceber – que o papel que desempenham é de representação, falando por todos e não por interesses de seus segmentos. Se na primeira reunião, ainda no ano passado no auditório da Universidade Federal, o quórum foi alto, com a maioria dos deputados presentes, a despeito do viés ideológico, as participações foram minguando nos eventos seguintes, terminando com alguns poucos levando o projeto a sério.
Por conta disso, tirando a Região Metropolitana, que concentra a sede do poder, o Triângulo Mineiro tem a melhor performance, pois seus líderes, sem se afastarem de suas diferenças – e não são poucas – sabem atuar juntos quando se trata do interesse coletivo. Juiz de Fora, a cidade-âncora da Zona da Mata, é o retrato vivo desse descompasso, no qual cada liderança age em espaço próprio, não elaborando uma linguagem comum em defesa do desenvolvimento.
