Se num primeiro momento havia uma pauta aberta, na qual o protesto pelo protesto era mais significativo, as manifestações que ocorrem pelo país afora começam a filtrar suas demandas e colocar as reivindicações na mesa. No caso local, os manifestantes ficaram de encaminhar ao prefeito Bruno Siqueira uma lista com seus pleitos. Na instância nacional, se faz o mesmo com o encontro com a presidente Dilma Rousseff.
São muitas as lições a serem tiradas, sendo uma delas ouvir as ruas, pois o clamor que mobiliza milhares é resultado da interrupção dos canais de comunicação. Os partidos, a quem caberia esse papel, tornaram-se instituições de interesses de grupos, mediando, sim, questões menores, como ocupação de cargos ou investimentos de interesse de poucos. Estes também terão que repensar suas ações, pois são os responsáveis pela interrupção dessa interlocução.
A semana ainda terá outras ações, mas a tendência, agora, é de se tirar do papel o que é factível por parte dos governantes, a fim de atender aos justos pleitos das ruas. A pauta é expressiva por conta do represamento dos últimos anos, quando se considerou que apenas salários eram suficientes para atender à comunidade. O povo quer salário, mas também quer saúde, segurança e medidas, de fato, de combate à corrupção. O país vive experiências de mau uso de recursos públicos mediante a irresponsabilidade de alguns poucos, mas que afetam a muitos.
A construção dos estádios, que poderia ser um ganho coletivo, entrou na agenda das ruas por conta dos orçamentos estratosféricos e pela falta de transparência de obras. Tornou-se recorrente afirmar a necessidade de novos aportes de recursos para os projetos que, na maioria das vezes, não contemplaram a mobilidade, o principal gargalo das grandes metrópoles. Ir aos estádios é fácil, mas sair tornou-se um tormento, uma vez que não há ônibus, táxis ou metrôs que comportem a demanda. E a Copa também não é isso.
