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DINHEIRO PÚBLICO

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No mesmo período em que o Governo pede austeridade, a fim de colocar a economia em dia, o aumento da verba partidária – agora triplicada – foi um escárnio para todos, uma vez que a redução de investimentos afeta diretamente a vida de cada um de uma forma ou de outra. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator do projeto que fixou os recursos em R$ 867 milhões, ainda teve a coragem de dizer que os partidos pediram mais, defendendo um fundo de R$ 1,5 bilhão. A presidente da República, acuada, inclusive por aliados, não vetou a proposta, embora, em privado, tenha manifestado sua preocupação com números tão altos. Em outro momento, teria rejeitado o repasse.

O relator disse que não foi uma proposta tramada na calada da noite, enfatizando ter apenas atendido ao pedido dos presidentes das legendas. De qualquer forma, porém, a sociedade não foi chamada a opinar. E, se fosse, certamente diria não, por não ver sentido em aumentar o dinheiro para os partidos enquanto os demais setores são convidados ao sacrifício. Ante a pressão das ruas, algumas legendas, a começar pelo PMDB, ao qual o senador é filiado, já anteciparam que vão rejeitar o aumento, num claro jogo para a arquibancada. De qualquer forma, tomou o discurso da oposição, que deveria ter se manifestado desde o início das conversações.

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Um valor tão expressivo é a prova material do financiamento público de campanha, pois irá engordar o caixa partidário num ano que antecede o pleito municipal. Mesmo assim, não há indícios de como Câmara e Senado vão tratar do tema na reforma. A base governista, leia-se Partido dos Trabalhadores, aposta num modelo de financiamento público, enquanto o PMDB, seu parceiro, prefere o financiamento empresarial, agora com restrições. Como todos são interessados, os demais partidos andam de lado, preferindo esperar a discussão chegar ao plenário.

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