Na reunião de quase quatro horas com os pesos pesados da indústria, na última quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff pediu o apoio do setor para pressionar o Congresso na aprovação de medidas de incentivo ao crescimento econômico. Em troca, ouviu apelos para demandas estratégicas: o câmbio, o peso excessivo dos impostos e os custos financeiros cada vez mais altos. Foi um bom debate, já que há planos para desoneração de tributos e concessão de incentivos, como redução dos encargos sobre a folha de pagamento, além de ajustes no IPI e no PIS. A questão econômica, porém, depende da via política. O Congresso, em função do balcão estabelecido pelos partidos, resiste em votar temas importantes.
A despeito do ciclo virtuoso, que colocou o país entre as maiores economias mundiais, perde-se uma oportunidade ímpar de se consolidar esse desenvolvimento. Além dos grandes empresários, os médios e pequenos também vivem a angústia de ver um cenário positivo, mas sem repercussão direta nos seus negócios, mais em função dos problemas apresentados à presidente. E não são questões recentes. Os produtos importados entram em profusão no mercado, agradando o consumidor, mas degradando a indústria nacional. No chamado Primeiro Mundo, há uma proteção que garante a competição com os demais produtos. No Brasil, há o temor do protecionismo.
Mas não é só isso. O dever de casa envolve várias frentes. Um país com pretensão de primeiro mundo tem que investir forte na infraestrutura, o que não é o caso brasileiro. Exemplo claro dessa inércia é a condição das estradas de rodagem. Na edição de hoje, a Tribuna mostra a ansiedade dos empresários por conta da falta de incentivos, mas revela também pontos de estrangulamento nas rodovias que cortam a região. Nesse caso, são estruturas antigas, que não acompanharam a evolução das cidades e nem do próprio volume de veículos. É possível ver estradas de mão dupla com belos cenários, mas inviáveis para acolher a demanda. São pequenos gargalos que formam um grande problema.
