Nos seus 175 anos de emancipação, Juiz de Fora viveu poucos episódios climáticos de tamanha magnitude. De acordo com os institutos de meteorologia, na noite de segunda para terça-feira, foi registrada uma precipitação de 138,7mm, gerando um acumulado de 584 milímetros, em fevereiro, concentrado na área urbana. O Rio Paraibuna saiu do leito também em trechos inéditos ante o volume de água em suas cabeceiras. O lado mais trágico desses episódios são as mortes registradas na cidade.
Os números continuam sendo atualizados, mas é possível considerar que será preciso muito tempo para a volta da normalidade. Juiz de Fora é cercada por montanhas, e suas encostas tornaram-se instáveis ante o volume de chuvas. Até mesmo em regiões como o Morro do Cristo – que tem obras de contenção de longa data – foram registrados deslizamentos.
Situada em um corredor de chuvas, que deve se prolongar até o fim de semana, a cidade, como parte da Região Sudeste, está sujeita aos efeitos diretos do aquecimento das águas do mar. As altas temperaturas e o oceano aquecido formam uma perversa combinação, que carece de extrema atenção.
São necessárias ações imediatas, de solidariedade às vítimas, como atendimento à população, e medidas voluntárias, como a doação de água mineral, alimentos e roupas para os flagelados. Outras se voltam para o futuro, já que será necessário um amplo trabalho de recuperação, que carece de profundos investimentos para a sua efetivação.
Pelas redes sociais, a prefeita Margarida Salomão fez relatos permanentes sobre a situação, enquanto o presidente Lula, direto do Oriente Médio, e o governador Romeu Zema, que deve vir à cidade ainda esta semana, prestaram solidariedade. Diversas lideranças políticas também se manifestaram, mas é necessário ir além.
Juiz de Fora, com cerca de 600 mil habitantes, precisará, necessariamente, de recursos para implementação de obras urgentes. Cabe ao Estado e à União encetar tais projetos. A solidariedade dos políticos é importante, mas seus mandatos devem agir de forma mais efetiva, na pressão sobre as instâncias de poder e no repasse de recursos frutos de emendas, para a execução de obras emergenciais.
As chuvas intensas, de acordo com os institutos de meteorologia, como o Inmet, tendem a ser mais frequentes pelos próximos verões, em decorrência do desequilíbrio climático, o que reforça a importância de as cidades se prepararem para tais eventos.
A tragédia que se abateu sobre Juiz de Fora pode se repetir em outras regiões, sobretudo as formadas por encostas, onde o problema se agrava, mas não há, diante desse novo cenário climático, regiões isentas, salvo aquelas que, na outra ponta do problema, já enfrentam secas intensas, cujas consequências também são graves.

