Com uma aprovação recorde em seu primeiro ano de Governo, desde que as eleições voltaram a ser diretas, a presidente Dilma Rousseff começa 2012 com a responsabilidade de manter o otimismo do povo brasileiro em relação à política em ano de eleições municipais. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no último domingo pelo jornal Folha de S. Paulo, 59% dos brasileiros consideram ótima e boa a gestão da primeira presidente mulher do país. O índice é surpreendente, porque nem mesmo Lula, seu padrinho político, com décadas de história política e imagem pública, havia conseguido tal feito. Lula alcançou 42% no seu primeiro ano de governo e, no segundo mandato, foram 50% de aprovação no ano inicial de administração. Já Fernando Henrique Cardoso ficou com 41% no primeiro mandato e 16% no segundo. Itamar Franco havia conquistado aprovação de apenas 12%, enquanto Fernando Collor tinha 23% de apoio dos brasileiros.
Os números positivos são indícios de que a imagem da presidente não se abalará facilmente, já que 2011 não foi um ano tão tranquilo. Dilma enfrentou escândalos envolvendo ministros, o que resultou em sete demissões. Em seis casos, havia suspeitas de irregularidades. A presidente, que não teve a reputação abalada em nenhum dos episódios, como bem mostra a pesquisa, já que apenas 6% consideram seu governo ruim, precisa, agora, ter habilidade para manter esses índices, dando passos certeiros, principalmente na economia, fator que tem se mostrado relevante na opinião popular na hora de avaliar seus governantes. Para isso, Dilma já se movimenta no Planalto, realizando reuniões para cobrar de sua equipe medidas que estimulem a economia do país, que envolvem crédito, juros, investimentos e infraestrutura. A presidente vai exigir relatórios semanais sobre execução de projetos.
Sem nenhum grande feito que possa justificar seu recorde de aprovação diante dos antecessores, uma avaliação possível, neste momento, talvez seja de que exigência, cobrança e firmeza sejam o principal trunfo de Dilma, que agiu de maneira célere para resolver a maioria dos casos, ao contrário do antecessor, que tinha mais traquejo político e protelava importantes decisões. No lugar da simpatia e do tapinha nas costas, a receita que deu certo, então, foi a seriedade e o pulso firme.
