No café da manhã com jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto – uma rotina que se repete todo fim de ano -, a presidente Dilma Rousseff deu a entender que não irá mexer na presidência da Petrobras. Respondendo com uma pergunta, disse textualmente: “a quem interessa tirar a Graça Foster? Sei da lisura dela”. Dona da caneta e tendo à sua disposição um considerável manancial de informação, a chefe do Governo não fez uma afirmação sem propósito. Primeiro, acentuou que as pressões do mercado não vão funcionar. Segundo, por considerar que debaixo desse angu tem caroço. Pode até ser. Mesmo debilitada pela série de escândalos e pelo rombo que já passou da casa de um bilhão, a Petrobras ainda é a maior empresa sob controle estatal, sendo, pois, alvo de cobiça.
Ante o impasse, a presidente terá que ter jogo de cintura para enfrentar o mercado, já que Graça Foster, a despeito de sua reconhecida lisura, está desgastada. Sua entrevista ao Jornal Nacional, na última segunda-feira, um dia após as denúncias da ex-diretora da empresa Venina Velosa ao Fantástico, apontando que ela foi informada, não foi esclarecedora. A presidente da Petrobras passou parte da entrevista na retranca, dizendo que as afirmações de sua colega eram vazias de conteúdo, mesmo durante contato pessoal.
A presidente da República não é de ceder à primeira pressão, mas pode, mais por intransigência do que habilidade política, estar aceitando um desgaste desnecessário, que pode afetar até a própria Graça. Em política, às vezes, é melhor recuar do que partir para o enfrentamento, sobretudo num momento em que o Governo está fragilizado por tantas denúncias. Certamente, há, sim, fortes interesses na direção da empresa, mas é possível fazer a mudança com atores da confiança da presidente, mas capazes de, neste momento, mesmo não virando o jogo, apaziguar a todos, inclusive os milhares de anônimos acionistas que não conhecem os detalhes do escândalo, mas acompanham no mercado a queda de valor de suas ações.
