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DIA DE IRA

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O Centro da cidade voltou a viver um dia de ira, na última quinta-feira, quando grupos armados de faca se enfrentaram numa das galerias mais movimentadas, levando pânico a quem se encontrava no local. No mesmo dia, já na altura da Praça da Estação, um homem desceu de um carro e efetuou disparos em plena via pública, sem medir as consequências. Os estilhaços feriram um idoso. O comércio, por alguns momentos, baixou as portas, numa cena típica de grandes metrópoles, como o Rio de Janeiro, onde vira e mexe os criminosos ditam regras e exigem a paralisação das vendas.

A Polícia Militar considera que as ações são atos isolados, rejeitando a migração dos conflitos dos bairros para o Centro, mas está patente que, mesmo em situações esporádicas, a ousadia dos envolvidos é crescente, exigindo não só das autoridades policiais mas também de outros segmentos uma discussão especial, já que o fenômeno é próprio de Juiz de Fora. Em outras regiões, os enfrentamentos são comuns entre traficantes por conta de território. Aqui, não. Muitos dos envolvidos não mexem com droga, mas atuam no cenário de violência por conta das galeras das quais fazem parte.

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Alguns estudiosos rejeitam a adoção da palavra gangue, indicando que elas têm características próprias que não se revelam em Juiz de Fora, mas, a despeito do título, há grupos que se enfrentam sistematicamente, como o próprio volume de ocorrências confirma. No Centro ou nos bairros, as disputas são constantes, fruto de um falso pertencimento que contraria o direito de ir e vir. Ônibus são depredados não por si mesmo mas por transportarem o inimigo. Jovens não podem entrar em outros bairros sem o aceite formal dos grupos, num cenário típico de dominação.

No momento em que a cidade tem fóruns especiais discutindo a violência, é necessário colocar a questão na mesa, para encontrar alternativas e virar o jogo.

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