Prejuízos ocorrem em qualquer instituição, desde que haja problemas de gestão ou conjuntura econômica, por isso, fazem parte dos atos de comércio, mas, quando são decorrentes de corrupção, a situação muda de figura. E não se fala em pouca coisa. O balanço apresentado na quarta-feira – com atraso de quatro meses – pela Petrobras aponta prejuízo de R$ 21 bilhões e corrupção de R$ 6 bilhões. Os desvios representaram 3% de contratos de quase R$ 200 bilhões. O atual presidente da estatal, Aldemir Bendine, disse que se sentia envergonhado pelo que presenciou, embora ele só tenha assumido o cargo agora, na fase de recuperação da estatal.
O rombo é resultado do uso do dinheiro público em favor de terceiros, num ataque ao caixa sem precedentes na história da empresa, não devendo ser jogado na rubrica perdas e danos. O dinheiro da corrupção precisa ser recuperado para retornar ao seu verdadeiro dono: o povo brasileiro. Por conta disso, é fundamental o papel dos órgãos envolvidos na investigação como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário.
Um assalto de R$ 6 bilhões não é resultado de atos isolados, apontando para uma cadeia de eventos que passou por vários setores públicos e privados, muitos deles ora prestando contas à Justiça, mas com indícios de que há muito mais.
A vergonha do presidente da Petrobras é a vergonha de todos, pois é inadmissível pensar que recursos tão expressivos tenham sido saqueados ao longo dos anos sem que se dessem conta. Ou, o que é pior, que tenham sido percebidos e nada tenha sido feito.
