Bate primeiro, depois pergunta. Ao ser confundido com um integrante da gangue rival, um jovem e sua namorada, grávida de 15 anos, foram agredidos na Rua Bernardo Mascarenhas. O desfecho só não foi mais grave graças à ação da Polícia Militar que fazia um patrulhamento na região. Dois adultos e dois adolescentes foram presos, mas acabaram soltos após prestar depoimento. Nos relatos, além da confusão de pessoa, o motivo teria sido o fato de o casal morar no Bairro Milho Branco, rival do grupo do Jardim Natal. O caso, agora, vai ser apurado e encaminhado à Justiça.
Independentemente do que será definido na instância judicial, é preciso retomar o debate sobre a ação das galeras, que é mais moda em Juiz de Fora do que em outras regiões. Agredir alguém por morar em outro bairro soa como uma insanidade sem limites, pois não se justifica. Os donos do território agora definem quem pode e quem não pode passar por seu espaço, embora, em diversos casos, as linhas de ônibus cumpram esse percurso.
Há três anos, a Tribuna fez uma série de matérias mostrando cenário idêntico na região que os próprios moradores denominaram Faixa de Gaza – numa alusão ao território disputado por palestinos e israelenses – que, na versão local, era foco de conflito entre gangues do Jardim Natal e do Milho Branco. Uma ação conjunta das polícias deu fim ao cenário de medo, mas tudo indica que os grupos se reagruparam e voltaram a incomodar a população.
É provável que os serviços de inteligência das polícias Civil e Militar já tenham identificado esses atores, restando, pois, uma medida mais dura para inverter o jogo. Em Juiz de Fora, sair às ruas em determinadas regiões ou até mesmo participar de eventos – como blocos – tornou-se um risco, algo impensável até por razões constitucionais. O direito de ir e vir está capitulado em lei e, só em virtude desta, é possível não fazê-lo.
