Enquanto o governador eleito Fernando Pimentel vive o dilema em torno do reajuste do funcionalismo público num cenário de incertezas econômicas, a presidente Dilma, já no seu projeto de segundo mandato, deve encontrar dificuldades na sua própria base política no Congresso, além, é certo, de uma oposição mais engajada depois da performance nas urnas de outubro. Não se trata de desconfiança de seus parlamentares, mas pela própria expectativa que envolve o Legislativo. No ritmo em que se encontra, a operação “Lava jato”, da Polícia Federal, deverá alcançar cerca de 70 deputados. Como eles vão reagir ninguém sabe, tudo dependendo do grau de envolvimento nas mazelas do dinheiro público.
A despeito do alerta geral que se instalou nas instâncias de poder, as negociações não serão tranquilas em qualquer uma das circunstâncias. O PMDB já começa a cobrar a conta da parceria nas urnas com a eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara. Oficialmente, diz-se que ele atua em faixa própria, mas quem conhece a cúpula peemedebista sabe que ela tem sintonia na cadeia de comando. A presidente da República não esconde o seu desconforto com o parlamentar, que já deu mostras de sua independência. Tê-lo como presidente da Câmara será um problema diário, sobretudo quando o Governo precisar de mobilização da Câmara Federal.
O próximo mandato, no qual a presidente estará desimpedida de atuar pensando na reeleição, terá um novo viés: o Partido dos Trabalhadores, se não tiver o ex-presidente Lula como carta na manga, terá que articular um nome de peso para a próxima disputa presidencial, o que abre perspectivas de disputas internas. Pelo lado da oposição, o senador Aécio Neves, mesmo com o cacife de cerca de 51 milhões de votos, não é o nome fechado pelo PSDB para a disputa de 2018. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, reeleito já no primeiro turno, vai cobrar a conta, o que também significa impasse no front tucano.
