Em qualquer pesquisa sobre as principais demandas da população, a saúde terá lugar nobre nas reclamações. Trata-se de uma resposta recorrente das ruas ante um cenário em que as filas continuam, e as consultas são marcadas para além dos prazos estabelecidos em lei. Embora seja, em todas as instâncias de poder, a rubrica que mais recebe investimentos, ela continua com problemas, sobretudo de gestão. Por conta de atendimento primário precário, os usuários pulam etapas, engarrafando os hospitais quando sua demanda poderia ter sido resolvida numa unidade básica. Tal fato, por si só, já justifica a medida anunciada pela Prefeitura de desmembrar o Departamento de Desenvolvimento de Atenção Primária à Saúde, a fim de facilitar a administração das unidades de atenção primária à saúde. Hoje, as 64 implantadas em Juiz de Fora respondem a um só gestor, o que as torna vulneráveis.
A população, por falta de esclarecimento, e, sobretudo, por não encontrar na ponta o atendimento adequado, vai para outra instância. E a razão, quase sempre, é a precariedade do atendimento inicial. Ora faltam médicos de plantão, ora não há medicamento. O próprio secretário de Saúde, José Laerte, em entrevista à Tribuna, admitiu que não há quem fiscalize. Hoje, a supervisão é praticamente artificial, no cenário em que alguém finge que acompanha e outro finge que está sendo acompanhado. Enquanto isso, a conta vai para o usuário.
A mudança proposta à Câmara, por meio de mensagem do prefeito Bruno Siqueira, é um avanço, pois a cidade não pode ficar no atual patamar de atendimento, sobretudo às vésperas de inaugurar um hospital do porte do Regional. Se não houver gestão no atendimento primário, ele também viverá o mesmo drama do HPS, no qual os pacientes enfrentam uma longa fila de espera para internação. O projeto, no entanto, vai além do atendimento primário, contemplando ainda outros departamentos e os profissionais do setor. Um avanço.
