O prazo das convenções se encerra no dia 5 de agosto, mas nem todos os partidos irão homologar seus candidatos com as chapas totalmente consolidadas. Na disputa proporcional – deputados estaduais e federais – não há problemas. A questão está na campanha majoritária para os governos estaduais e para a Presidência da República.
As causas são diversas, mas o pano de fundo é o jogo político que mistura busca por votos e acordos de longo prazo, já pensando no próximo mandato. O noticiário tem apontado a indefinição do centrão, que pretende adotar uma postura neutra já no primeiro turno.
Os partidos que formam o grupo não estão necessariamente desconfortáveis com os atuais candidatos. Com cofres cheios por conta do Fundo Partidário, não precisam de recursos oriundos de alianças. Em um ambiente polarizado, o grupo faz as contas e pensa na sua sobrevivência política, que depende de uma bancada robusta no Parlamento e da ocupação de postos no futuro governo.
O centrão sabe que a gestão a ser inaugurada em 2027, como já ocorre desde a redemocratização, vai depender de seu apoio para obter maioria. Por isso, queimar fichas em torno de uma candidatura pode comprometer outro projeto: formar a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado Federal.
Em um cenário semelhante ao presidencialismo de coalizão, o Executivo precisa de uma base, o que eleva o custo das negociações com eventuais aliados. O viés ideológico importa pouco. O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira – atualmente sob investigação da Polícia Federal por suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master -, é um exemplo dessa situação. Ele já foi ministro no governo do Partido dos Trabalhadores e também no mandato de Jair Bolsonaro.
Ele é apenas um exemplo entre tantos que ocupam governos sem qualquer preocupação com sua linha ideológica, estando no posto apenas para garantir maioria.
Trata-se de um processo em que o Governo paga um alto preço, e quem resistiu a esse jogo encontrou dificuldades: Fernando Collor e Dilma Rousseff foram apeados do cargo por não terem uma base sólida no Congresso.
Não é por outra razão que candidatos bem situados em pesquisas, como Flávio Bolsonaro, ainda encontram dificuldades para definir o vice ideal. É a mesma situação do candidato do Novo, Romeu Zema.
O presidente Lula, em seu projeto de reeleição, embora tenha ensaiado mudanças, manteve Geraldo Alckmin como vice. O ex-governador de São Paulo é filiado ao PSB e leva consigo uma sólida base no estado. É do jogo.

