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CORTE NA CARNE

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A elevação da Selic, em 0,25 ponto percentual, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, esta semana, é um claro sinal de que a inflação ainda não está sob controle. Doze e meio por cento ao ano é o maior patamar da taxa desde 2009, após cinco altas consecutivas somente no Governo Dilma. Isso mantém o Brasil no topo de um ranking nada confortável. É o país detentor do juro mais elevado do mundo, 6,8% descontada a inflação de 6,75%, de acordo com o IPCA-15.

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Mesmo que se confirmem as previsões de economistas e analistas de mercado de que o ciclo de alta do Copom finalmente tenha chegado ao fim, uma vez que os números começam a se comportar como o esperado, é prematuro dizer que Governo vai alcançar a meta de inflação de 4,5% ao ano em 2012. A economia já dá sinais de desaceleração, é verdade, e as medidas de aperto monetário tomadas no fim do ano passado devem produzir resultados agora no segundo semestre. A pressão sobre os preços, no entanto, está longe de acabar. A alta do salário mínimo e as negociações para o reajuste do funcionalismo público ainda devem impulsionar os números em 2012.

O melhor seria contar como cenário desejado apenas para 2013. Até lá, há muito o que se fazer, pois o freio na economia também tem um lado perverso: com os juros altos, a inflação cai, mas as dívidas crescem. E, mesmo com emprego e renda em alta, a inadimplência já preocupa. Manter o ritmo de crescimento do país vai exigir mais do que juros altos. É preciso coragem para cortar na carne, ou seja, nos gastos públicos, calcanhar de aquiles de qualquer Governo.

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