A implantação do sistema troncalizado para o transporte urbano é uma necessidade, pois, há tempos, Juiz de Fora tem problemas de mobilidade na área central pelo excessivo número de veículos, não apenas os particulares mas também os ônibus. Em horários de pico, a Avenida Getúlio Vargas, para ficar só nesse exemplo, quase para, por conta da demanda. A cidade esteve perto de uma solução, quando o modelo começou a ser implantado, na gestão Tarcísio Delgado, com a construção da estação de Santa Lúcia, hoje abrigando a sede do 27º Batalhão de Polícia Militar. Os críticos questionaram o local, sob o argumento de que a área ideal seria já na Avenida Brasil, para colher também os passageiros de outras regiões, como Milho Branco, Bairro Industrial e Bairro Cerâmica, além do fluxo oriundo da Zona Norte.
Pode até ter havido tal equívoco, mas era o início de uma mudança que se consolidaria com a construção de outros postos na Zona Sul da cidade e na própria Avenida Brasil. Os primeiros ônibus já estavam circulando, no início sob crítica da população, aceitos, porém, numa etapa seguinte. No entanto, ante a velha cultura de não se dar continuidade aos projetos do antecessor, o prefeito Alberto Bejani desistiu do projeto. Hoje, num cenário de ausência plena de recursos, a Prefeitura teria que começar do zero.
E aí reside o problema. A despeito das previsões para a mudança, encontrar recursos é como uma caça ao tesouro, já que o Governo fechou a caixa, e o Estado vive o mesmo cenário de dificuldades. Passar a obra para as empresas, como bem lembra o Tribunal de Contas, é temerário, pois a conta poderia vir com novos reajustes das tarifas. É fundamental ir adiante, mas o primeiro passo é encontrar a fonte de financiamento. Trata-se de uma nova missão para a instância política. Os deputados federais têm a prerrogativa de emendas no orçamento, mas até estes vivem da promessa nunca cumprida de pagá-las. O modelo impositivo aprovado pelo Congresso tornou-se uma peça de ficção, pois a fonte secou em Brasília.
