Se antes a vida já andava difícil, com o corte anunciado ontem pelo ministro Joaquim Levy, a situação das prefeituras e dos estados será pior ainda, pois, num modelo econômico centralizado, dependem diretamente de Brasília para efetivação de suas políticas públicas. A medida é necessária, mas é fundamental avaliar suas consequências. As prefeituras são as principais empregadoras e contratantes nos municípios e, quando se veem contingenciadas, também reduzem suas ações. A falta de controle de outros tempos chega, agora, com um gosto amargo por conta dos reflexos da decisão na conta de quem menos pode: a população.
Juiz de Fora, da mesma forma que outras municipalidades, enfrentará forte retração, mesmo sob a garantia de recomposição de obras importantes como as do Hospital Regional e as de acessibilidade. Até que o fluxo seja retomado, os repasses serão mínimos, sobretudo os oriundos de emendas parlamentares. O orçamento impositivo aprovado pelo Congresso, pelo qual o Governo é obrigado a pagar as indicações dos parlamentares, será o desafio. A cidade está na lista das beneficiadas, mas, com o corte, não há certeza de nada.
Por muitos anos, o país navegou em mar de marinheiro, em função do ciclo virtuoso da economia mundial, mas, ao não fazer ajustes necessários quando a crise de 2008 tornou-se realidade, preferindo achar que ela não chegaria ao Hemisfério Sul, deu um passo atrás. O que hoje ocorre é fruto dessa imprevidência.
