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EM NOME DAS OUTRAS

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Ao admitir diante das câmeras de televisão ter sido vítima de abuso sexual até os 13 anos – fato revelado no domingo, no programa Fantástico, da Rede Globo – a apresentadora Xuxa Meneghel levantou o véu de silêncio sob o qual tantas outras pessoas vivem, e que, como ela, são condenadas a se calar ante uma suposta culpa por terem sido elas as reais responsáveis por tais situações. No seu depoimento, a apresentadora disse que um autor era o melhor amigo de seu pai, e o outro, um professor. Com medo, não os denunciou. Em nome de outras, refletiu uma situação que envolve milhares de lares pelo país afora. A violência sexual é algo grave, que merece ser combatida e discutida, pois não é de hoje. Xuxa ainda paga um alto preço, admitindo dificuldades de relacionamento.

Vencedora na profissão, conseguiu, de uma certa forma, dar um passo adiante, revertendo o jogo com seu sucesso e ainda atuando no atendimento às crianças, para evitar a repetição do crime. Sabe que, ao contrário dela, outras vítimas ainda estão sob a tutela do medo, sem conseguir romper a interdição a que se dispuseram, forçadas pelas circunstâncias. Muitas dessas personagens convivem com os agressores. Em algumas situações, as próprias mães sabem do problema, mas, também por medo ou por dependência financeira, não abrem o jogo.

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São situações conhecidas pela própria sociedade, mas que continuam a ocorrer. Por isso, o gesto de Xuxa não foi apenas uma confissão, mas também um passo adiante para que outras tantas sigam o seu caminho e apontem o dedo para os autores. Não basta, porém, focar na legislação, cobrando rigor nas penas. É fundamental avançar, abrindo espaço para discussões, sobretudo nas escolas, não só para incentivar a quebra do silêncio, mas também para preparar os jovens. O conhecimento é um importante antídoto contra a violência.

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