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SOLIDÃO DO PODER

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Quando optou por uma postura distante dos políticos, bem diferente de seu antecessor, que gostava das conversas e se envolvia – como continua se envolvendo – na articulação, a presidente Dilma Rousseff talvez não desse conta do jogo bruto do Congresso. Mudar os líderes pode ter sido um ganho tanto para o Governo quanto para o Congresso, como afirmaram vários parlamentares, mas é preciso dar um norte ao próprio Governo. O modo monocrático da presidente deixa os próprios assessores sem chão, sem saber que rumo dar às suas negociações, salvo quando recebem ordens diretas. Não há flexibilidade. A ministra Ideli Salvatti, da Articulação Política, se saiu bem nas primeiras ações, mas, agora, está dentro do redemoinho, por ter curto espaço para negociar. Tudo passa pela presidente.

É nesse quadro que o Planalto voltou a sofrer uma derrota no Congresso ao ver adiada a votação da Lei Geral da Copa do Mundo, e sem, sequer, ter data para votar o Código Florestal. A presidente criou várias áreas de instabilidade e há uma conta a pagar por isso: bateu de frente com os militares, por conta da Comissão da Verdade; desentendeu-se com os evangélicos, em função do aborto; sofre críticas dos ruralistas, por causa do código que não sai, e ainda tem dificuldades na base por não dar espaço para o PR nem atender todos os pleitos do PMDB.

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Embora o Governo tenha o poder de agenda e a caneta, os partidos são responsáveis pelo avanço ou bloqueio das demandas oficiais no Congresso Nacional. E quando se fala em partidos, fala-se em nomes como Renan Calheiros e José Sarney, entre outros, que controlam seus grupos e fazem deles moeda de negociação. O novo líder do PMDB, Eduardo Braga, chegou cheio de boas intenções, mas bastou contrariar o presidente do Congresso para ver como a banda toca. Sarney é um político velho e profissional e conhece todos os meandros da política. Subestimá-lo é um problema.

A presidente, até por uma questão de necessidade, deverá retroceder no cabo de guerra que instalou com o Legislativo, mas precisa, também, dar trato a projetos importantes que estão emperrados por sua conta e risco. Ao receber ontem os megaempresários, cobrou investimentos, mas deve ter ouvido queixas sobre juros e, sobretudo, infraestrutura. O país parou nesse ponto e corre o risco de ter demanda, mas não ter meios de produção. É o ambiente ideal para a inflação, ou para a entrada dos produtos externos.

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