Ícone do site Tribuna de Minas

MAU EXEMPLO

PUBLICIDADE

Desde que chegou ao Brasil, a ativista e blogueira cubana Yoani Sánchez foi surpreendida por uma onda de protestos, que começou em Recife (PE), onde desembarcou na segunda-feira passada, e prosseguiu por Salvador e Feira de Santana (BA), Brasília (DF) e São Paulo (SP). Os manifestantes repudiavam sua presença e elogiavam o regime de Havana.

A intolerância de grupos fanáticos foi suficiente para impedir um dos principais motivos da viagem de Yoani: a exibição do filme Conexão Cuba-Honduras, de Dado Galvão. Nas poucas horas em que esteve no Congresso Nacional, aplausos, vaias e bate-bocas envolvendo os parlamentares rondaram sua passagem.

PUBLICIDADE

Crítica da ditadura castrista, a autora do blog Generación Y só teve oportunidade de se manifestar livremente em São Paulo, em evento fechado para 200 pessoas no auditório do jornal O Estado de S. Paulo, na quinta-feira, quando criticou a omissão do Governo brasileiro na questão dos direitos humanos em Cuba e pediu que o Brasil adotasse uma reação mais enérgica. À noite, porém, os protestos voltaram a se repetir, e a sessão de autógrafos da nova edição de seu livro De Cuba, com carinho teve que ser abortada.

Até Yoani Sánchez perdeu a paciência quando percebeu que, mesmo em uma democracia, a liberdade de expressão pode ser cerceada a gritos e ameaças de violência física, que só não chegaram a termo por conta do reforço na segurança da blogueira, com escolta 24 horas por dia.

Não fossem orquestradas pela própria Embaixada de Cuba em Brasília, com apoio de alas mais radicais de alguns partidos de esquerda, as manifestações virulentas contra a dissidente cubana seriam realmente o que ela classificou como mais puro exercício da democracia e disse esperar ver em seu país um dia.

Mas ultrapassa os limites da liberdade de expressão. Calar no grito é próprio das democracias jovens, pouco habituadas à pluralidade de opinião. Na verdade, revelam um Brasil que envergonha o Estado democrático, no qual qualquer um tem direito de se manifestar – contra ou a favor -, e não é isso que está no centro da discussão. O que não se pode tolerar é o fanatismo infiltrado nas estruturas de poder.

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile