Os números do Caged, que em Juiz de Fora implicaram a perda de quase quatro mil postos com carteira assinada, mas no Brasil foram expressivamente preocupantes com a supressão de 1,5 milhão de vagas, apontam para um cenário preocupante já nesse início de 2016. A despeito de todas as expectativas de que não seria possível ter ano pior do que o ano passado, os sinais de mudança ainda são tímidos. É cedo para os reflexos da medida, mas a troca no Ministério da Fazenda ainda não refletiu no mercado. Ao contrário, as incertezas permanecem como mostram os recentes números da inflação. O mercado reagiu mal à manutenção da taxa de juros, embora tenha sido mais adequada do que um possível aumento, fruto, talvez, da inflexão do Banco Central, que, um dia antes, por meio de nota assinada pelo seu presidente, Alexandre Tombini, apontava em outra direção. O problema, embora venial, amplia as desconfianças de ação política na instituição, algo que deixa o investidor com um pé atrás num momento em que a segurança no investimento é fundamental. Como o Congresso está ainda em recesso, é preciso esperar os próximos passos, já que várias medidas oficiais precisam passar pelo crivo de deputados e senadores. O único dado positivo foi a sinalização do Governo em dialogar com a oposição e a possibilidade de esta aceitar conversar. Os números não aceitam desaforos, e ambos os lados devem ter claro em suas posturas que o objetivo comum é o país, não valendo o jogo do “quanto pior melhor” e, muito menos, o “nós contra eles”, duas posturas comprometedoras da esperada recuperação econômica.
