Quando o comércio virtual tornou-se uma rotina na internet, a principal preocupação dos usuários – e ainda é – envolvia a segurança dos sites. Eram ou não confiáveis? O consumidor, em diversas ocasiões, era induzido a entrar em páginas que, em vez de compras, davam acesso aos dados pessoais de quem agia de boa fé, tornando-se uma armadilha de danos irreversíveis. Com o crescimento da rede, também crescem os problemas, inclusive os de segurança. Mas, vencida essa etapa, surgiu uma nova questão: a entrega dentro dos prazos. Como a Tribuna apontou na edição de ontem, trata-se de um gargalo que ainda não foi resolvido, bastando acompanhar o volume de reclamações no Procon. Em Juiz de Fora, houve um crescimento de 12% entre novembro e dezembro, se comparado com o mesmo período do ano passado. O jornal apontou casos em que a espera superou todos os prazos e, em outros, o produto sequer chegou ao seu verdadeiro comprador.
Com o avanço da rede mundial, a legislação também começou a ganhar novas formas, mas como não há crime sem lei que o tipifique, só agora está sendo possível recorrer à Justiça para reclamar direitos, inclusive de entrega. O problema, no entanto, é como fiscalizar a execução dos serviços. O país continua pródigo em leis que não pegam, embora sejam de interesse público. Os serviços de atendimento, por exemplo, continuam dando canseira a quem ousa procurá-los, embora haja lei estabelecendo prazo de um minuto para isso. Agora chegou a vez da entrega.
Quando o descumprimento de leis não implica em punições, cria-se um cenário adequado para a recorrência. O usuário, porém, não é o único a perder, já que, ao quebrarem a relação de confiança, vários serviços virtuais acabam tendo sua credibilidade afetada. Na rede mundial, em que as notícias são em tempo real, a informação da má qualidade dos serviços também rompe fronteiras e desperta a atenção dos compradores. No entanto, ainda são poucos os que tomam tais precauções.
