Uma rápida passada de olhos pelos jornais de ontem – ou acompanhamento do noticiário do rádio, da televisão e da internet – mostra a quantas anda o preço da vida em Juiz de Fora. Mesmo não apresentando os índices ideais estabelecidos pela Secretaria de Defesa Social para implantação do projeto Fica Vivo, de combate aos homicídios, a cidade tem registrado dados preocupantes sobre a violência. Mas é fato que não é exclusividade do município. Nesse mesmo exercício de apuração, constata-se que, em São Paulo, há uma guerra declarada entre polícia e bandidos, que já matou centenas de pessoas. Só de agentes da lei são quase cem. Embora tenha recebido críticas pelo viés político que deu ao discurso, tem razão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, quando diz que as ocorrências da capital têm mais vítimas fatais do que o enfrentamento entre israelenses e palestinos.
Enquanto no Oriente Médio há um claro viés ideológico, que se soma à questão territorial e de identidade, no Brasil – e Juiz de Fora também não é exceção -, percebe-se que os crimes contra a vida estão se tornando rotina, que causam medo, mas já não indignam mais. Tornou-se comum abrir os jornais, postar-se diante do rádio e da televisão, ou ainda através das redes sociais, e receber a carga de notícias policiais. E os números confirmam. Também ontem, informaram que, em Salvador, um dos principais corredores turísticos do país, os homicídios aumentaram cinco vezes em dez anos. São 61 crimes por cem mil habitantes, cinco vezes mais do que a ONU considera suportável.
Além da mudança na legislação penal, que anda a passos de cágado no Senado, são necessárias outras medidas para, pelo menos, conter esse crescimento. A adoção de políticas de combate direto ao homicídio é fundamental. No caso do crime no Bairro Santa Luzia, as câmeras do posto facilitaram a identificação imediata dos autores. Elas impedem os crimes? Certamente, não. Mas sua presença, como dispõem de programas especiais, serve de ponto inibidor das ocorrências. Há cerca de um mês, a Secretaria de Defesa Social informou que Juiz de Fora, pelo menos, será contemplada com o programa Olho Vivo, que estabelece a vigilância eletrônica no Centro e nos bairros comerciais. Trata-se de um avanço, mas os demais bairros, geralmente nos quais se concentram as ocorrências, também precisam ser contemplados com outras ações.
