As lideranças políticas, pois são elas que ditam o ritmo do Congresso Nacional, adotam um deliberado erro de timing ao voltarem a discutir, agora, a necessidade de uma reforma política. Durante os últimos quatro anos, o tema entrou e saiu da pauta sem uma solução definitiva. Câmara e Senado, em vez de fazerem um trabalho conjunto, chegaram a criar comissões especiais que levaram questões idênticas e outras divergentes sem, no entanto, colocar nenhuma delas em plenário. O vice-presidente da República, Michel Temer, disse ser urgente uma mudança, por ser “impossível continuar com esse sistema político-eleitoral”.
Em palestra, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, disse que o financiamento privado de campanha é uma fonte de corrupção, porque dá mais força às empresas que contribuem com as candidaturas do que aos cidadãos que vão às urnas. Esse tema também esteve na agenda de deputados e senadores, mas não avançou, nem mesmo na outra ponta que trata do financiamento público.
O Congresso que toma posse em 2015 terá a mesma responsabilidade, sobretudo no primeiro ano de mandato, quando não há pressão de eleições. Na próxima rodada, mesmo assim em 2016, serão prefeitos e vereadores os avaliados pelas ruas. Por novas ou pelas atuais regras?
A reforma tornou-se um consenso, quando se trata de sua necessidade, e um desafio quando entra no campo de sua implementação. Qualquer político, se indagado, dirá que ela é necessária, mas o que deixa o cidadão comum intrigado é exatamente esse paradoxo. Se todos a acham necessária, por que a reforma não sai do papel? Com a palavra, suas excelências.
