Sem ter ainda uma legislação que tipifique determinados fatos como crime, a internet tornou-se um espaço para o exercício de atitudes que nem sempre estão de acordo com princípios éticos. O brasileiro, com sua típica solidariedade, comete esse deslize quando, mesmo de boa-fé, anuncia a existência de blitze não só nas áreas urbanas, como a Tribuna mostrou na edição de domingo, mas até mesmo nas estradas, piscando faróis para indicar a presença da polícia rodoviária.
No caso local, o meio é a rede mundial. Um grupo usa mensagens na internet para avisar motoristas de blitze da Lei Seca, levando-os a mudar de trajeto para fugir do flagrante. Entrevistados, alguns membros explicaram não pensar nas consequências, mesmo sabendo que suas informações podem estar ajudando criminosos ou pessoas alcoolizadas.
O equívoco começa quando entendem estar ajudando. Seus avisos não só permitem a execução do ilícito mas também prejudicam a própria sociedade. Boa parte dos acidentes, principalmente pelas madrugadas, é resultado da combinação volante e álcool. As medidas preventivas visam não só punir mas tirar de circulação tais infratores. Avisados, eles continuam a cometer suas insanidades.
A campanha pela Lei Seca deve ser incrementada, provavelmente ainda este mês, com ações conjugadas das polícias Civil e Militar, Bombeiros e órgãos civis. O grupo que denuncia os pontos de divulgação deve, pelo menos, refletir e avaliar sobre quem, de fato, está ajudando.
