Assim como as CPIs, o movimento que ora se desenvolve pelo país afora não tem um final previsível. O povo foi as ruas, expôs sua indignação, mas não definiu quando voltará para a sua rotina, deixando fluir o resultado de suas ações. A redução das tarifas já ocorreu em boa parte das cidades brasileiras, mas os ânimos não arrefeceram. Surgiram novas demandas e, em ato inédito, em Juiz de Fora elas ganharam foco local. As criativas projeções nos prédios da cidade apresentaram um rol de reivindicações que não se esgotou na tradicional queda das tarifas. Os manifestantes, de forma pacífica, apresentaram suas queixas contra projetos em tramitação na Câmara e em propostas como a construção de um novo prédio para o Legislativo. Não se esqueceram do preço das passagens, mas pediram vetos à nova Lei de Ocupação do Solo.
Esse elenco de demandas demonstra o lado positivo da discussão. Quem pensa que as ruas estão alheias ao que ocorre nos gabinetes está equivocado. Com o avanço das redes sociais, as informações correm em tempo real, não precisando da presença física para serem disseminadas. Desta forma, quando os vereadores em plenário discutem os problemas da cidade, não é preciso este estar cheio para a questão chegar às ruas. O povo mostrou-se informado sobre o que se passa na Casa e cobrou uma postura de seus representantes.
Em Juiz de Fora, a manifestação foi um exemplo de que é possível protestar sem enveredar por atos de vandalismo, como ocorreu ontem, especialmente no Rio de Janeiro. Os enfrentamentos que foram vistos, sobretudo nas capitais, mudam o ponto de vista da opinião pública, até então voltada para o lado das ruas. Quando uns poucos mudam o foco das manifestações, jogam por terra todo o trabalho de mobilização efetuado até agora. Por conta disso, cobrar dos políticos, como ocorreu em Juiz de Fora, é um ato saudável da democracia. Invadir prédios e quebrar espaços públicos, não.
