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JOGO DE PODER

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A redução do número de ocorrências na área do 27º Batalhão de Polícia Militar deve ser comemorada, pois é uma boa notícia para a cidade, mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser preocupante o enfrentamento de galeras, como ocorreu no fim de semana na região de Humaitá. Um jovem foi espancado e alvejado e só não morreu por sorte, já que os tiros teriam sido desferidos à queima-roupa. Também no domingo, a Polícia Militar, do outro lado da cidade, evitou uma briga entre gangues na Zona Sul, após ter sido informada que cerca de 20 adolescentes estariam armados com facas para enfrentar um grupo rival. Não fosse a intervenção, algo mais grave poderia ter acontecido.

A briga de gangues não é uma demanda apenas de polícia, especialmente da militar, a quem é dada a prerrogativa de ações ostensivas. Há outros fatores que precisam ser analisados, uma vez que a extensão do problema deve ser considerada pelas autoridades como uma questão de origem complexa, a começar pela busca de uma identidade. Os jovens, na tentativa de se destacar, evocam o controle do território como uma das marcas de seu pertencimento. Só que as ações não estão se restringindo à sua suposta base. Com o advento das redes sociais, os conflitos estão sendo marcados para áreas neutras, levando medo à população, quase sempre surpreendida por tais manifestações.

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Há quem diga tratar-se de um fenômeno urbano, comum sobretudo nas metrópoles. Essa é uma das hipóteses, mas o Estado não pode ficar inerte, devendo buscar a origem para resolver o problema. A polícia age em cima dos fatos, mas o que se vê é bem mais do que isso, já que está incrustado no comportamento de grupos, nos quais as tensões se revelam. Isolados, muitos desses atores têm uma postura normal. Em grupo, mudam de atitude e vão para a luta. Como a definição está no outro, praticam gestos de toda sorte.

O grave, porém, é o uso desses segmentos especialmente pelo tráfico. Com a sedução do jogo de poder que normalmente perpassa o cenário das galeras, coopta jovens para suas fileiras, formando um caldo de cultura que se manifesta, normalmente, em violência.

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