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Um mês da maior tragédia de Juiz de Fora

editorial
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Após um mês da tragédia que marcou, para sempre, a história da cidade, volta a chover em Juiz de Fora. Como pensar na palavra “normalidade” enquanto encostas seguem abertas nos mais diferentes bairros do município? Mesmo a chuva fina da chegada do outono apreende a população. Não há normalidade para o trabalhador que, todos os dias, no horário de pico, enfrenta a retenção no trânsito causada pelas ruas que permanecem interditadas. E, principalmente, não há sombra de normalidade para os familiares e amigos das 65 pessoas que se foram em decorrência da chuva.

Na reportagem da repórter Nayara Zanetti, publicada neste domingo (22), a Tribuna busca pôr em números as ações de recuperação adotadas em Juiz de Fora. Ao longo deste mês, diversas verbas foram anunciadas nas esferas federal, estadual e municipal. Um montante de cerca de R$ 27 milhões só em recursos federais. Mas para onde vai esse dinheiro? Quanto já foi investido e em quê? Anunciar verbas é ótimo, rende uma boa manchete, mostra que o agente público, de fato, está preocupado com a recuperação de uma cidade arrasada. Mas o trabalho árduo começa justamente depois disso. É preciso tirar esse dinheiro do cofre, avançar com a burocracia e colocar as máquinas na rua.

Já se passaram 30 dias desde a maior chuva da história de Juiz de Fora, mas a sensação é de que esse tempo foi menor. A cidade ainda está longe de retomar a normalidade. Há bairros que seguem convivendo com lama nas ruas, moradores que precisam improvisar caminhos em meio às barreiras e áreas sem intervenção que alimentam, dia e noite, o medo de novos deslizamentos.

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Parte dessa verba é prometida às famílias atingidas pela chuva. No campo dos auxílios, a Prefeitura anunciou, na última semana, o pagamento do Auxílio Calamidade Municipal a pessoas com imóveis atingidos e inscritas no CadÚnico. No valor de R$ 800, o benefício será depositado em parcela única para 1.400 famílias, com recursos arrecadados pelo município por meio do Pix oficial de doações.

Esse valor se soma ao benefício federal de R$ 7.320 por família elegível. Também no âmbito da assistência habitacional, o programa Compra Assistida, do Governo federal, operacionalizado pela Caixa Econômica Federal, prevê a oferta de moradia a famílias que perderam suas casas, com imóveis de até R$ 200 mil. A estimativa é de que ao menos duas mil famílias atingidas pelas chuvas sejam contempladas com novas moradias.

O volume de recursos destinado à cidade é expressivo, mas, sem execução, perde efetividade. A recuperação de Juiz de Fora depende da aplicação concreta das verbas já anunciadas, com cronograma, definição de prioridades e transparência sobre o andamento de cada medida.

Um mês depois, a cidade ainda convive com efeitos diretos da tragédia sobre a mobilidade, a moradia e a rotina de milhares de pessoas. Por isso, a etapa que se inicia exige coordenação entre os entes públicos, agilidade nos processos e acompanhamento permanente das ações anunciadas. Mais do que contabilizar cifras, Juiz de Fora precisa verificar, na prática, o que já saiu do papel e o que ainda precisa avançar.

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