No depoimento que não houve na CPI da Petrobras, o ex-diretor de Serviços da empresa Renato Duque emitiu uma fala emblemática já no início da sessão: “existe uma hora de falar e uma de calar”. Em princípio, exercia o direito de não produzir provas contra si, algo defeso em lei, mas sua citação tinha mais do que isso. Para congressistas mais atentos, ele apontava que, na hora em que abrir a boca, muita coisa vai acontecer, mas não era aquele o fórum adequado, talvez por conta de muitos afetados pelo seu discurso estarem na instituição. Diante do juiz, pode ser que dê nome aos bois. E é por isso que muitos políticos ficaram com um pé atrás ante o que poderia ser considerada, até mesmo, uma ameaça do suspeito.
Duque sabe muito, mas não é o único. O prejuízo aos cofres públicos aponta para uma rede de capilares que passa por várias instâncias, estando as investigações apenas no começo, a despeito da estupefação que já provocam. Quando um gerente, como Pedro Barusco, de moto próprio, se dispõe a devolver quase R$ 100 milhões, há indícios de que ele pode ter recebido muito mais; e, como não estava na ponta da gestão, o que esperar dos demais?
O país vive um momento crítico, mas que prova, paradoxalmente, a estabilidade das instituições. O escândalo da Petrobras, a crise econômica e os impasses políticos são fermento para cenários mais graves. Por conta dessa segurança institucional é que se espera a superação dessas demandas, com a punição dos culpados, o retorno da economia aos trilhos e a moralização da política.
