Na edição de hoje, a Tribuna destaca a ação das gangues que literalmente infernizam a vida dos usuários de transporte coletivo de Juiz de Fora, com ações típicas de donos do pedaço, não permitindo a presença de moradores de outras regiões em seu território. Como se trata de algo impossível, já que os veículos cruzam vários bairros, a tensão é constante, fazendo da volta para a casa, principalmente, uma aposta. Ouvidos, diversos usuários relataram histórias e revelaram seu justificado medo. A questão central é o que fazer. Pela avaliação dos próprios especialistas, a repressão, por si só, não basta, pois são episódios. Mesmo apreendendo esses infratores, as penas são rasas, e como a maioria é menor de idade, a passagem por uma delegacia é quase mera formalidade.
Tais ocorrências carecem de adoção de várias medidas, mas a principal delas é a educação, pois esta redime. Os autores de tais atos de vandalismo quase sempre são jovens em que as famílias, como bem lembrou o professor Wedencley Alves, terceirizam a função, deixando unicamente para a escola a missão de nortear a vida de seus filhos. A escola alfabetiza e também educa, mas é necessário cooperação. Hoje, a indiferença no seio familiar é uma perversa realidade. Não se discutem problemas; é cada um por si, como se fosse um grupo de estranhos.
A juventude tem uma leitura própria dos fatos, e sentir-se poderoso é um pressuposto para participar de grupos, o que leva a ações de violência. Tal qual nas galeras americanas, também existem rituais de iniciação e tarefas para participar da gangue. São gestos insanos, cometidos sem avaliação dos danos. Quem joga uma pedra num ônibus age deliberadamente para ferir alguém, mesmo tendo um alvo específico, mas sabendo que pode atingir qualquer um. E é aí um dos pontos críticos. Pessoas inocentes, usuárias dos coletivos vivem sob o risco constante de ser atingidas por uma pedra ou até mesmo por um tiro.
A ação da polícia, como cobram os moradores dos bairros, mesmo não sendo a única fonte de ação, é importante, mas é necessário considerar que é preciso denunciar, como também é fundamental as empresas ampliarem suas ações preventivas com a instalação de câmeras. Se nada for feito, os jovens participantes de gangues serão vítimas e autores de violência ao curso de suas próprias vidas.
