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DESVIOS ÉTICOS

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Em recente entrevista, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barroso disse que chamava a sua atenção a falta de arrependimento dos envolvidos em casos de corrupção no país, destacando os condenados no mensalão. Ninguém pediu desculpas ou se mostrou disposto a mudar de rumo após o episódio. Na última quarta-feira, foi a vez do advogado Mário Oliveira Filho, que defende o lobista Fernando Baiano, dizer que sem propina ninguém faz obra nesse país. “Se não fizer acerto, não coloca um paralelepípedo no chão”, definiu.

Duas situações distintas, mas que indicam a quantas anda a corrupção no país. Como o dinheiro é público, dele se trata como se fosse uma coisa comum, da qual todos podem usufruir sem prestar contas à sociedade. Não há, pois, razão para se arrepender. Por outro lado, se não molhar a mão de agentes públicos, não se faz uma obra sequer. São duas constatações que incomodam, sobretudo se vistas pelo ponto de vista ético, embora não sejam inéditas. A corrupção é um fato endêmico, mas nem por isso deve ser considerado algo comum.

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O trabalho da Polícia Federal é pedagógico, mas está longe de ser a pedra final na obra de construção de um novo país, como destacou a presidente Dilma, sobretudo se for levado em conta que está se apresentando apenas uma das faces do problema. Outros setores, se investigados, terão denúncias semelhantes, o que tem deixado agentes públicos e políticos sem dormir, ante a iminência de também serem chamados a se explicar.

No atual caso, porém, a novidade é o discurso dos empreiteiros ao se apresentarem como vítimas de extorsão, praticada por diretores da Petrobras, se considerando inocentes nesse jogo de dinheiro fácil. A culpa, nesse caso, tem mão e contramão. A sociedade brasileira é a única vítima desses desatinos.

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