Uma carta interceptada em um presídio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, indicava possíveis ataques a policiais de Minas, deixando a corporação em alerta, como revelou a Tribuna na sua edição de ontem. Em princípio, seria uma propagação para as fronteiras mineiras do confronto ora em curso em São Paulo, onde mais de 90 agentes da lei já foram mortos. Pode ser um simples trote, mas ante as circunstâncias, é melhor prevenir do que remediar.
Verdade ou não, o dado a considerar envolve a política de segurança praticada pela União e pelos estados, que passa por uma situação singular. Na maior cidade do país, o Governo está sendo desafiado pelo poder paralelo do PCC, exigindo ação conjunta dos poderes, uma vez que a sociedade não pode pactuar com tal situação. O convênio assinado pelo governo paulista e o ministério da Justiça, estabelecendo ações paralelas, é mais importante pelo lado emblemático do que nos recursos que pode resultar.
Como o Triângulo é próximo a São Paulo, o documento deve ser resultante da conexão típica de fronteira, mas é de se esperar – como foi anunciado – que providências estejam sendo tomadas em defesa dos agentes da lei, de seus familiares e da própria sociedade, pois trata-se de uma perigosa encruzilhada em que as instâncias de poder não podem ter qualquer tipo de dubiedade. Ceder a qualquer forma de chantagem é colocar em risco toda a política de segurança do país e o próprio papel do Estado.
Ante tal circunstância, o mal deve ser cortado pela raiz antes que se torne um caminho sem volta, como já está prestes a ocorrer nas grandes metrópoles.
